A Arquidiocese de Belém tem vivido um processo de amadurecimento, tendo diante dos olhos os quatrocentos anos do início da Evangelização da Amazônia e de fundação da cidade de Belém. Percorremos uma novena de anos, abraçando juntos o projeto de Evangelização chamado “Belém em Missão”. Deus nos concedeu a graça de identificar grande número de missionários, cuja tarefa apontava para a criação de pequenas Comunidades, para que a força do Evangelho se espalhe e chegue às pessoas mais distantes. Identificamos novas áreas a serem constituídas como Paróquias. De dois mil e dez até a presente data foram criadas vinte e nove novas Paróquias, correspondentes ao desejo do Povo de Deus e às necessidades de ampliação da presença da Igreja, todas elas com número significativo de Comunidades, Pastorais, Movimentos e Serviços.

O Senhor nos conduziu à sensibilidade crescente para as vocações aos diversos serviços. Nossos cinco Seminários acolhem os jovens chamados ao sacerdócio e buscam oferecer-lhes a formação adequada. Foram ordenados novos Sacerdotes e um grupo significativo de Diáconos Permanentes. Existe entre nós uma mentalidade vocacional muito positiva, que envolve famílias e Paróquias. Neste ano foi aprovada a nossa Faculdade Católica de Belém, que abre a partir de agora suas portas para os Cursos de Filosofia e Teologia, com candidatos ao sacerdócio e também leigos e leigas que desejam estudar conosco. E nos últimos anos assistimos a formação de Catequistas, Ministros da Palavra e da Comunhão Eucarística e outros muitos serviços eclesiais. E nossa Arquidiocese conta ainda com a presença qualificada da Vida Religiosa Feminina e Masculina e diversas Comunidades Novas, dedicadas à Nova Evangelização.

Tivemos a graça imensa de celebrar em nossa Igreja, nos últimos dias, o XVII Congresso Eucarístico Nacional, preparado com dignidade e realizado com a participação e envolvimento de todas as forças vivas da Arquidiocese e a presença de irmãos e irmãs de outras partes da Amazônia e de todo o Brasil. Os Cardeais, Arcebispos e Bispos, Sacerdotes, Diáconos de todas as partes nos honraram com sua presença e oração. O tema do Congresso – “Eucaristia e partilha na Amazônia Missionária” e o lema – “Eles o reconheceram no partir do Pão” – ficaram profundamente gravados em nossa mente e nosso coração, para suscitar os muitos frutos que o Espírito Santo deseja para a Evangelização e a vida da Igreja. Somos imensamente gratos a tantas pessoas que deram muito de sua vida, de seu tempo, suor e lágrimas para a realização do Congresso Eucarístico. No coração de Deus estão todas presentes. No dia primeiro de Setembro, Festa de Santa Maria de Belém, às dezenove horas, queremos participar juntos da Eucaristia, na Catedral da Sé, para dar graças ao Senhor por tudo o que realizamos juntos.

Alguém perguntou sobre o legado do Congresso Eucarístico! Os frutos são espirituais e pastorais, a grande alegria de professar a fé católica, maior consciência da importância e centralidade da Eucaristia, amor fraterno entre nós, zelo apostólico e evangelizador. Só Deus pode medir o que acontece na Igreja, como resultado do Congresso. Não o realizamos para alcançar lucros materiais, e o fizemos com a ajuda de todos, especialmente dos mais simples, a modo da Viúva pobre do Evangelho (Cf. Mc 12, 41-44). E para nossa grata surpresa, vieram contribuições do Brasil inteiro, revelando a sensibilidade das Arquidioceses, Dioceses e Prelazias, na Coleta Nacional convocada pela CNBB.

Agora, podemos descansar sobre os louros da vitória? Nada disso, pois temos um longo caminho a percorrer (Cf.1 Rs 19, 7). É do Apóstolo São Paulo que nos vem o estímulo a continuar o caminho: “É assim que eu conheço Cristo, a força da sua Ressurreição e a comunhão com os seus sofrimentos, tornando-me semelhante a ele na sua morte, para ver se chego até a Ressurreição dentre os mortos. Não que eu já tenha recebido tudo isso, ou já me tenha tornado perfeito. Mas continuo correndo para alcançá-lo, visto que eu mesmo fui alcançado pelo Cristo Jesus. Irmãos, eu não julgo já tê-lo alcançado. Uma coisa, porém, faço: esquecendo o que fica para trás, lanço-me para o que está à frente. Lanço-me em direção à meta, para conquistar o prêmio que, do alto, Deus me chama a receber, no Cristo Jesus. É assim que nós, os ‘perfeitos’, devemos pensar. E se tiverdes um outro modo de pensar, nisto também Deus vos esclarecerá. No entanto, qualquer que seja o ponto a que tenhamos chegado, continuemos na mesma direção” (Fl 3, 10-16).

De passo em passo, haveremos de progredir, conduzidos pela força do Espírito de Deus, que nos impulsiona. Próximo grande evento, o Círio de Nazaré de 2016: “Salve Rainha, Mãe de Misericórdia!” Neste último domingo de agosto, teremos o encontro com os coordenadores e coordenadoras das peregrinações do Círio. Dali para frente, o envio e o verdadeiro mutirão de evangelização que se estende pelas cidades da Arquidiocese. O mês de setembro, para a Arquidiocese de Belém, é tempo intenso de oração nas famílias e de visitas da Imagem Peregrina às diversas instituições da sociedade. Mais uma vez todas as portas se abrem ao Evangelho, levado nas mãos e no colo de Nossa Senhora de Nazaré, com o carinho da misericórdia, que envolve especialmente os mais distantes. Este deve ser o Círio dos mais pobres e afastados, dos que estão ou se sentem afastados e abandonados.

Além disso, a vida quotidiana da Igreja, feita da fidelidade nas pequenas coisas. Iluminados pela Palavra do Senhor: “Parabéns, servo bom e fiel! Como te mostraste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da alegria do teu senhor!” (Mt 25, 21). Trata-se da fidelidade edificada pelos mais simples, quem sabe, escondidos, mas conhecidos pelo Senhor, cujo testemunho e oração são fundamentais para a Igreja.

Para que não nos faltem metas pastorais a serem alcançadas, olhamos para o ano de dois mil e dezenove, quando celebraremos os trezentos anos da criação da Diocese de Belém do Grão Pará, pela Bula “Copiosus in Misericordia”, do Papa Clemente XI. Nosso caminho passa pela próxima Assembleia de Pastoral e a desejada convocação do Primeiro Sínodo Arquidiocesano de Belém, a ser celebrado em nosso terceiro centenário. O Espírito Santo nos conduza!

 

Dom Alberto Taveira Corrêa

Arcebispo Metropolitano de Belém