“Há um ponto que considero relevante para o caminho atual e futuro não só da Igreja no Brasil, mas também de toda a estrutura social: a Amazônia. A Igreja está na Amazônia, não como aqueles que têm as malas na mão para partir depois de terem explorado tudo o que puderam. Desde o início que a Igreja está presente na Amazônia com missionários, congregações religiosas, sacerdotes, leigos e bispos, e lá continua presente e determinante no futuro daquela área. Queria convidar todos a refletirem sobre o que Aparecida disse a propósito da Amazônia, incluindo o forte apelo ao respeito e à salvaguarda de toda a criação que Deus confiou ao homem, não para que a explorasse rudemente, mas para que tornasse ela um jardim. No desafio pastoral que representa a Amazônia, não posso deixar de agradecer o que a Igreja no Brasil está fazendo: a Comissão Episcopal para a Amazônia, criada em 1997, já deu muitos frutos e tantas dioceses responderam pronta e generosamente ao pedido de solidariedade, enviando missionários, leigos e sacerdotes. Mas eu quero acrescentar que deveria ser mais incentivada e relançada a obra da Igreja. Fazem falta formadores qualificados, especialmente formadores e professores de teologia, para consolidar os resultados alcançados no campo da formação de um clero autóctone, inclusive para se ter sacerdotes adaptados às condições locais e consolidar por assim dizer o rosto amazônico da Igreja. Nisto lhes peço, por favor, para serem corajosos, para terem parresia!” (Papa Francisco, Discurso aos Bispos do Brasil, na Jornada Mundial da Juventude, 2013). Na mesma ocasião, quando me apresentei pela primeira vez ao Papa, ouvi dele expressões semelhantes: “Sejam ousados, tenham coragem. Se lhes faltar a ousadia, já estarão errados de princípio!”

A Arquidiocese de Belém quer ser ousada, ao realizar em terras amazônicas, pela segunda vez, um Congresso Eucarístico Nacional, programado para os dias 15 a 21 de agosto de 2016, convocando todo o Brasil para celebrar conosco a grandeza do Mistério da Eucaristia. O XVII Congresso Eucarístico Nacional se realiza no Quarto Centenário do início da Evangelização da Amazônia e da fundação da Cidade de “Santa Maria de Belém do Grão Pará”. A estação do Congresso Eucarístico é convocação a todo o Brasil, reunido e peregrino, para viver e testemunhar a vocação que é nossa e de toda a Igreja. Nosso tema é “Eucaristia e partilha na Amazônia Missionária”. Queremos viver juntos o Congresso, para que se realize mais uma vez, aqui em Belém, Portal da Amazônia, o que acontece na Igreja desde seus albores: “Eles o reconheceram no partir do pão” (Lc 24, 35), o lema que escolhemos.

Nossa história amazônica é marcada pela generosidade de levas de missionários, irmãos e irmãs que vieram de tantas partes do Brasil e do Mundo, para trazer a Boa Nova do Evangelho, nos séculos que nos precederam. Somos imensamente gratos por tudo o que recebemos! E os frutos não se fizeram esperar, pois aqui existe um povo, não só missionado e ajudado por tantos outros, mas com uma raiz missionária latente e tantas vezes já pujante em nossas veias da fé. Sabemos o quanto a Amazônia pode oferecer ao Mundo e à Igreja, para que nossa pobreza partilhada contribua para a edificação do Reino de Deus.

A imensidão das terras amazônicas nos inspirou a realização de uma peregrinação pelos espaços da fé, conduzidos pelas mãos do Senhor Jesus. Ele passou pelas estradas da Galileia e da Judeia e por algumas áreas circunvizinhas, em regiões de estrangeiros, mas peregrinou, de lá para cá, em terras e corações. Nós também percorremos distâncias, seguindo o roteiro da fé, mais do que um passeio por terras diversas, em preparação ao Congresso e à luz do tema do Congresso Eucarístico.

Com Jesus conhecemos o Mistério de sua presença e da Eucaristia, começando por Jerusalém. Sabemos que de lá se irradiou o conhecimento e a prática da vida eucarística da Igreja, a que desejamos ser fiéis, até que ele venha! O primeiro que nos relatou a história da última Ceia e primeira Missa foi São Paulo: “De fato, eu recebi do Senhor o que também vos transmiti…” (1 Cor 11, 23). E a Igreja, peregrina na história, aprofundou o Mistério e o testemunha em toda parte, do nascer ao por do sol. O Senhor antecipou sacramentalmente sua entrega na última Ceia. Após a Ressurreição, ele se manifestou a vários de seus discípulos, amigos e amigas. Como somos peregrinos na história, pedimos ajuda aos Discípulos de Emaús, para aprender a reconhecê-lo no partir do Pão (Cf. Lc 24, 35).

Nosso desejo sincero é que todos os participantes do XVII Congresso Eucarístico Nacional reconheçam sua presença e se tornem missionários e missionárias, levando consigo a riqueza do que vivemos juntos. Ao reconhecê-lo no partir do pão, lembramo-nos de nosso nome, Belém, Casa do Pão. Da mesma forma com que ressoou o convite ao VI Congresso Eucarístico Nacional, aqui realizado, ou como ecoou de Brasília para o Brasil o anúncio feito em 2010, no encerramento do XVI Congresso Eucarístico Nacional, desejamos que o Brasil inteiro repita conosco: “Vamos a Belém, para ver o que aconteceu, segundo o Senhor nos comunicou” (Lc 2, 15). Após a Ressurreição, o Senhor apontou para a Galileia, onde reconhecemos nosso horizonte aberto na Amazônia e em todo o Brasil, para levar adiante nossa responsabilidade de “discípulos missionários”. Em nossa Nazaré, inspirados pela devoção à Rainha da Amazônia, Nossa Senhora de Nazaré e por ela conduzidos, encontramos as indicações para vivermos os frutos pastorais do XVII Congresso Eucarístico Nacional, oferecendo-as como dom a todo o Brasil. Enfim, coerentes com a devoção mariana de nossas terras amazônicas, vamos à Casa de Maria, Mulher Eucarística, que nos conduz pelas mãos para vivermos o XVII Congresso Eucarístico Nacional.

 

Dom Alberto Taveira Corrêa

Arcebispo Metropolitano de Belém

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