Irmãos e irmãs, a Igreja nos reúne para celebrar a Solenidade de Corpus Christi, aqui, no Portal da Amazônia onde acontecerá uma das grandes celebrações do XVII Congresso Eucarístico Nacional, no próximo mês de agosto, estação privilegiada de nossa Arquidiocese de Belém, chamada a acolher todo o Brasil, para que, do Altar da Eucaristia, se irradie um novo impulso missionário em nossa Pátria. Aqui o Brasil conheça a Amazônia em sua vocação missionária de partilha. Hoje e no Congresso Eucarístico todos reconheçam o Senhor no partir do Pão Eucarístico, fonte de vida para o mundo.

A missa começou no alto, quando a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo nos foram oferecidos. “Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo”, dissemos com alegria. Falar bem, abençoar, dizer as bondades de Deus é a palavra do encontro de Melquisedeque com Abraão! São palavras de bênção que também ressoam na apresentação das ofertas, para aclamarmos com alegria “Bendito seja Deus para sempre!” E depois de bendizer o nome de Deus, parece-nos ficar embasbacados com a grandeza de seus dons. Logo confessamos ser pecadores, frágeis, indignos de participar de tamanha bênção, e aqui entramos no tema da presente Homilia: “Eucaristia, fonte inesgotável de Misericórdia“.

Na missa, a misericórdia tomou imediatamente seu lugar, quando proclamamos o senhorio de Jesus Cristo. De fato, o Senhor tem piedade de nós! Hoje colocamos em prática a palavra de São Paulo, no belíssimo hino da Carta aos Filipenses: “Ao Nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, e toda língua confesse: ‘Jesus Cristo é o Senhor’, para a glória de Deus Pai” (Fp 2, 10-11). Nele, a Trindade Santa proclama a casa missa que podemos entrar, ainda que nossos pés estejam empoeirados ou cheios de lama! Deus diz a todos nós hoje, homens e mulheres do caminho, pecadores limitados: a casa é nossa! Sejam todos bem vindos!

Por isso pudemos cantar a glória a Deus no Céu, na certeza de que de lá vem a paz a todos os que são por Ele amados. Hoje aconteceu de novo a dança da alegria entre o Céu e a Terra, da qual todos, sem exceção, são chamados a participar.

Na oração do dia de Corpus Christi, pedimos a graça colher continuamente os frutos da Redenção! De fato, este é um povo salvo, remido, resgatado pela infinita misericórdia de Deus, no Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Ouvimos a Palavra de Deus. Quando o Diácono pediu a bênção para ler o Evangelho, ecoava na Igreja a experiência do profeta Isaías: “Sou um homem de lábios impuros, vivo entre um povo de lábios impuros, e, no entanto, meus olhos viram  o rei, o Senhor dos exércitos. Um dos serafins voou para mim segurando, com uma tenaz, uma brasa tirada do altar. Com ela tocou meus lábios dizendo: Agora que isto tocou os teus lábios tua culpa está sendo tirada, teu pecado, perdoado.” (Is 6, 5-7). Um povo de lábios impuros foi tocado pela brasa da misericórdia, vinda do Altar de Deus, para escutar e proclamar esta Palavra.

Tal palavra foi extremamente exigente para nós. Uma vez,  juntou-se uma grande multidão e não tinham o que comer. Jesus, então, chamou os discípulos e disse: “Sinto compaixão (Misericórdia!) desta multidão! Já faz três dias que estão comigo e não têm o que comer. Se eu os mandar embora sem comerem, vão desfalecer pelo caminho; e alguns vieram de longe” (Mc. 8, 1-3), como acontece nesta manhã luminosa. É a misericórdia de Jesus que se debruça sobre os famintos! Como os discípulos de um tempo, somos provocados a dar, nós mesmos, de comer a uma imensa multidão (Cf. Lc 9, 11-17). Multidão que tem fome de dignidade, respeito, acolhimento, trabalho, alimento para o corpo e o alimento que dura até a vida eterna, dado na Eucaristia.

Hoje, de novo, a misericórdia de Deus se faz próxima da humanidade, sustentando-nos e atribuindo-nos a responsabilidade de procurar os caminhos para a renovação da sociedade, na força do Evangelho. O Coração de Jesus se volta de novo, em Corpus Christi, para a humanidade que somos e aquela que representamos, para fazer-nos missionários compassivos e cheios de misericórdia. Não nos detenham os justos clamores de quem sofre mais. Antes, estes clamores rasguem nossos corações, abram nossas mãos e nossos bolsos, para darmos a resposta que estiver ao nosso alcance.

Na Liturgia Eucarística, um pouco d’água se misturará ao vinho, na preparação das oferendas. Nossa pequenez é acolhida pelo misericórdia infinita. O que é pequeno e frágil destina-se a ser consagrado, mergulhado na eternidade de Deus!

Na Oração Eucarística, o pão e o vinho se perdem para que resplandeça Corpo e Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. E chegamos o coração da Celebração Eucarística, com as palavras da Instituição da Eucaristia: “Estando para ser entregue abraçando livremente a paixão, Jesus tomou o pão, deu graças, o partiu e deu a seus discípulos, dizendo: TOMAI, TODOS, E COMEI: ISTO É O MEU CORPO, QUE SERÁ ENTREGUE POR VÓS. Do mesmo modo, ao fim da ceia,  ele tomou o cálice em suas mãos, deu graças novamente e o deu a seus discípulos, dizendo: TOMAI, TODOS, E BEBEI: ESTE É O CÁLICE DO MEU SANGUE, O SANGUE DA NOVA E ETERNA ALIANÇA, QUE SERÁ DERRAMADO POR VÓS E POR TODOS PARA A REMISSÃO DOS PECADOS. FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM. Eis o mistério da fé! Anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!

Corpo entregue, Sangue derramado, para a remissão dos pecados. A misericórdia chegou ao seu cume! Entregou-se o Senhor para salvar os pecadores, os pequenos, os criminosos, nós! Eis a Missa que celebramos. O único Sacrifício de Jesus Cristo se renova, de modo incruento, em toda parte, do nascer ao por do sol, enquanto esperamos a sua vinda! Podemos beber na fonte da eterna misericórdia todos os dias, no Altar da Eucaristia!

O Rito da Comunhão é aberto com o Pai Nosso. Pedimos aquilo que é essencial, o que não pode faltar: Pão, perdão, libertação do mal! Rezar o Pai Nosso é mergulhar no amor misericordioso e infinito do Pai, com as palavras de Jesus e conduzidos pelo Espírito Santo que nos faz clamar “Abbá-Pai”. A oração que se segue pede para que sejamos livres do pecado e protegidos do mal, ajudados pela misericórdia do Pai.

E o Jesus Misericordioso, a quem nos dirigimos logo depois, é aquele que não olha para os nossos pecados, mas para a fé que anima a Igreja.

A este Senhor Misericordioso, Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, clamamos piedade e paz! E o sacerdote, antes da comunhão diz “Senhor Jesus Cristo filho do Deus vivo que cumprindo a vontade do Pai e agindo com o Espírito Santo, pela vossa morte destes vida ao mundo. Livrai-me de todos os meus pecados. Pelo vosso corpo e pelo vosso sangue dai-me cumprir sempre a vossa vontade e jamais separar-me de vós.” Mais uma vez a Igreja clama por misericórdia!

Enfim, antes de comungar dizemos “Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo”. E mesmo sabendo-nos indignos, lutando, caindo e levantando,  tantas vezes cantamos: “Chego muitas vezes em tua casa, meu Senhor, triste abatido, precisando de amor, mas depois da comunhão tua casa é meu coração. Então sinto o céu  dentro de mim”. Podemos, sim, em cada Missa, dizer: “Graças e louvores sejam dados a todo momento. Quero te louvar na dor, na alegria e no sofrimento, e se em meio à tribulação, eu me esquecer de ti, iluminas minhas trevas com tua luz”.

A ele dizemos, no Corpus Christi do Ano Jubilar da Misericórdia: “Jesus fonte de misericórdia que jorra no templo, Jesus o filho da rainha, Jesus, rosto divino do homem, Jesus rosto humano de Deus”.

Após a Santa Missa, saindo em Procissão Eucarística, acolhamos o convite a sermos missionários da misericórdia, lavados no Sangue Redentor e alimentados com o Pão no Céu, viático para nossa caminhada de peregrinos. A procissão continue quando voltarmos às nossas lides, sustentados por aquele que traz a vida verdadeira para o mundo.

 

Dom Alberto Taveira Corrêa

Arcebispo Metropolitano de Belém

Inscreva-se no CEN2016

INSCREVA-SE

Seja um Voluntário no CEN2016

VOLUNTARIADO

Hospedagem Solidária

HOSPEDAGEM

BAIXE O APLICATIVO DO CEN2016

Clique e baixe o APP CEN2016